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Comentando Liberdade Liberdade pela última vez

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Os gritos de "liberdade" não me impressionaram.
Tudo meia boca, esse final de Liberdade Liberdade.  Como supus no texto de ontem, Joaquina – que até o final apegou-se aos seus princípios e não teve senso de autopreservação – foi salva pelo “herói”, porque, bem, ela é mocinha e, não, heroína.  Não foi nem uma cena colossal o seu salvamento, aliás, tudo meia boca, como marcou a novela, afinal, Vila Rica é um ovo que só tinha um padre.  Ninguém sequer estava no patíbulo para encomendar sua alma.  Bastava isso, um padre de pé em algum lugar. E nem venham me falar em estado de sítio, ou guerra, que com essas coisas não se brincava.  Negar os últimos sacramentos para alguém ia dar inferno para a autoridade envolvida, também. Só que o autor não deve ter sido informado... Deveriam ter investido mais em pesquisa histórica.

E para que não pensem que é a feminista louca exigindo que a mocinha fosse mais do que o possível dentro de uma trama como a da novela, cito a crítica final de Nilson Xavier: “Andreia Horta também desenvolveu um bom trabalho como a heroína Joaquina/Rosa Raposo. Heroína não, mocinha! Aqui cabe uma crítica à personagem (não à atriz). A novela vendeu Joaquina, a filha de Tiradentes, como uma espécie de grande revolucionária. Mas o que se viu na maior parte da trama foi pouca luta (logo, pouco foco na História) e uma mocinha de melodrama que sucumbiu às armadilhas e à gratidão por Rubião (Mateus Solano), caindo muito facilmente em sua rede, assim pouco condizente com o perfil de heroína. Andreia Horta fez o que pôde, mas Joaquina/Rosa poderia ter sido bem mais, em concordância com a proposta inicial da novela.”

Gostando, ou não, de Tolentino, Ricardo Pereira brilhou.
E a morte de Rubião?  Duelo?  Qual nada!  Foi morto por Anita que, bem, brilhou no último capítulo, mas não se despacha um vilão deste porte de forma tão negligente.  Joaquina, mesmo tomada pela dor, ainda entra na casa do “marvado” falando em julgamento, prisão e/ou forca.  Quem prenderia ou julgaria Rubião se a rebelde era ela?  De resto, de novo a inexperiência do autor, Joaquina é presa, condenada pela morte de Rubião e ninguém sequer dá enterro ao corpo.  Que freak e sem sentido foi a cena do Marquês e da Virgínia encontrando Anita ceando com o cadáver.  De novo, brilhou a atriz portuguesa, Joana Solnado, mas a cena não fez sentido nenhum.

Outros que brilharam, claro, foram Marco Ricca e Ricardo Pereira.  Tolentino em todas as suas contradições, foi um grande personagem. Vil, pusilânime, incapaz de qualquer ato de grandeza, um sobrevivente, ainda assim.  Mão de Luva é puro amor. Melhor papel de Marco Ricca, em minha opinião.  Como não vi semana passada, boiei em relação ao “Padre” Viseu/Dimas, mas logo descubro o porquê do ódio de Mão de Luva.  De resto, foi um final corrido.  Esqueceram de dar destino ao Caju, ele deveria ter aparecido no navio com Xavier e Joaquina.  Ascensão, apareceu na porta e foi só isso, desperdício.  Fora as demais personagens. 

E foi só isso de Ascensão no último capítulo.
O autor – Mário Teixeira – precisa melhorar muito, porque o que salvou a novela foi a direção, a parte de arte (fotografia, figurino) e o elenco.  E, sim, Rede Globo, mais investimento em pesquisa histórica, por favor, porque algumas coisas ficaram muito feias.  O roteiro foi enviesado, cheio de clichês e evidenciando o desconhecimento de coisas mínimas sobre o Brasil e a Europa da virada do XVIII para o XIX.  Fora que bastava ir até Vila Rica e ver que aquela cidade cenográfica era uma “vila” no sentido mais acanhado da palavra e, não, a capital da província mais rica do Brasil, um grande centro urbano com muitas igrejas, conventos e tudo mais. Gostei da novela?  Sim, mas com muitas ressalvas.

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